processo criativo
livro luz animal
Desenhar sem papel...
...para publicar em papel! O livro Luz Animal foi concebido desde o início para publicação em suporte físico, no entanto todas as ilustrações foram desenvolvidas exclusivamente em ambiente digital.
Quando iniciámos a nossa aventura colaborativa, coube-me criar as ilustrações para o livro, partindo de dois princípios operativos importantes: que seria um livro impresso e que a viabilidade da edição assentava numa economia de meios e opções. Na prática, para podermos incluir todas as ilustrações que os poemas sugerissem, a paleta a cores teria de ser excluída.
Aceitei esse condicionamento como desafio criativo, baseada na experiência que já trazia da prática como artista. Do ponto de vista técnico, o processo de desenho em suporte digital não era novo para mim. Incluí essa técnica como ferramenta artística a partir de 2010 – nessa altura com uma pequena prancheta de desenho simples, sem ecrã.
A familiaridade com desenho e tratamento de imagem assistidos por computador remonta à infância e adolescência, nos primórdios do desenvolvimento dos computadores pessoais. Do entusiasmo inicial de conseguir produzir gráficos simples num ZX Spectrum algures nos anos 80, passando por muitas sessões lúdicas de desenho com rato nos primeiros programas de interface gráfico (o que já era avançadíssimo :D), experiências de paginação de trabalhos escolares com imagens digitalizadas com pequenos aparelhos de 256 tons de cinza ou por experiências de desenho técnico CAD e impressão em plotters no arranque dos 90’s… o historial da imagem aliada a computadores esteve presente desde cedo.
Mas a exploração matérica e gestual do desenho em suportes tradicionais também esteve sempre fortemente presente e foi mais treinada no meu percurso de estudo artístico.
Desta combinação entre o gosto pelo desenho mediado por instrumentos digitais e pela tradição do desenho com suporte e materiais físicos, tem surgido a minha aproximação particular ao desenho. Partindo sempre de uma base muito espontânea e gestual de um esboço ou um rabisco abstracto, por vezes com algum referente exterior como modelo, o desenho vai surgindo em camadas e intersecções de machas, linhas, formas e texturas desenhadas juntamente com os elementos vectoriais e os processamentos computorizados – muito q.b..Mas tudo é feito sobre a folha de pixeis, sobre um papel virtual, graças à sofisticação e acessibilidade que existe hoje em dia em termos de equipamentos e programação.
Do ponto de vista da minha experiência, trabalhar sobre suporte digital é bastante libertador e potenciador. A relação que se estabelece é quase natural, em particular com o equipamento atual que permite uma experiência visual directa do traçado.
O maior desafio mesmo foi a natureza do trabalho em si, ou seja, ilustrar. Uma ilustração nasce e vive corpo a corpo com o texto, mesmo que – deixada só – não deixe de ser inteira e expressiva em si mesma.
Já trazia prática com desenho, com desenho aliado a texto (mas no sentido inverso, “ilustrando” os desenhos com palavras), com diagramação e desenho infográfico, mas não com ilustração.
Estas ilustrações surgiram assim, com grande variação formal e estilística, subordinando-se à guia e sugestionamento da palavra e da poesia para se revelarem e definirem enquanto imagem e desenho.
Convido-vos a conhecê-las nessa experiência imersiva – como está agora em voga dizer – intemporal e simples de abrir um livro e mergulhar nele.
(PNB)
[ na galeria abaixo, alguns exemplos de trabalhos com desenho em suporte digital ]















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Sobre o autor
dupla colaborativa de autores/editores José João Sardinha (texto) e Patrícia Nazaré Barbosa (imagem)

